Resíduos das obras do estádio Mineirão são reaproveitados

BELO HORIZONTE (15/10/10) - As obras do projeto de modernização do Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, estão em sua segunda fase, que prevê a demolição de estruturas e o rebaixamento do campo de jogo. Todos os resíduos resultantes das intervenções estão sendo reaproveitados, em acordo com o conceito de Estádio Verde.

O foco das intervenções, que ocorrem até o final deste ano, está na demolição de estruturas e na remoção de terra. A previsão é de que a demolição da geral e de parte da arquibancada inferior gere, aproximadamente, 3,8 mil metros cúbicos de concreto e 1,4 mil de alvenaria. Já o rebaixamento do campo de jogo, 90% concluído, implicará a retirada de 68,8 mil metros cúbicos de terra. Ao todo, estima-se que serão utilizados 5.700 caminhões para a retirada de todo o entulho gerado durante as obras.

Mas o que era para ser um problema ambiental, no Mineirão tornou-se uma solução. Noventa dias após o início das obras da segunda fase, os resíduos gerados nas primeiras demolições (concreto armado, alvenaria, blocos e argamassa), depois de preparados, estão sendo usados na construção de rampas de acesso ao interior do estádio para as máquinas. Os resíduos da demolição integral da geral e de parte da arquibancada inferior (já 100% concluída) estão sendo encaminhados para a Usina de Reciclagem da Prefeitura de Belo Horizonte, localizada no Km 531 da BR 040, distante aproximadamente 14 quilômetros do Mineirão.

No canteiro de obras do Estádio, uma máquina (britador) tritura o material demolido e separa objetos metálicos (pregos e parafusos) dos não-metálicos. A separação, por tipo de material e por tamanho, é que permite a reciclagem. O concreto, livre das chamadas impurezas e reciclado, poderá ser usado na construção de passeios, calçamento de ruas ou utilizado como base para a aplicação do asfalto. Os resíduos metálicos são encaminhados para uma segunda recicladora específica.

Já a terra extraída no processo de escavação para o rebaixamento do campo está sendo utilizada em uma obra de Requalificação Urbana e Ambiental do Ribeirão Arrudas, executada pelo Departamento de Obras Públicas do Estado de Minas Gerais (Deop/MG). Ela é empregada em um aterramento, onde ocorre a pavimentação de uma via urbana que dará continuidade à avenida Teresa Cristina, entre os municípios de Belo Horizonte e Contagem.

Os dois exemplos mostram que um novo Mineirão começa a surgir antes mesmo de ficar pronto para a Copa das Confederações (2013) e a Copa do Mundo (2014). Além de responsável na perspectiva econômica e financeira - a terceira e última fase das obras será bancada por meio de uma parceria público-privada, dividindo os custos e riscos entre o Governo do Estado e a concessionária -, a modernização do estádio busca alternativas para assegurar a utilização racional de recursos. Esta preocupação está presente em todas as fases do projeto, das obras civis até a operação.

Água da chuva, energia e arquitetura

O projeto de modernização do Mineirão prevê a implantação, durante a operação do estádio, de sistema de captação de água de chuva, com capacidade de armazenamento de 6.270.000 litros. Esse volume é suficiente, por exemplo, para suprir a antiga necessidade de consumo de água mensal do estádio (o consumo médio era de 4.400.000 litros ao mês, considerando-se sete jogos no período, o funcionamento administrativo e o atendimento a visitantes).

Outro bom exemplo é a produção de energia por meio de células fotovoltaicas. Essas células são dispositivos capazes de transformar a energia luminosa em energia elétrica. Estudo desenvolvido pela Cemig aponta para a possibilidade de instalar no Mineirão um sistema com a capacidade de gerar, aproximadamente, 1 megawatt - energia equivalente à alimentação de 700 residências de médio porte.

Outro aspecto positivo é que os projetos de arquitetura e complementares foram desenvolvidos atendendo aos preceitos de sustentabilidade ambiental, conforme orientações e requisitos da Certificação LEED, concedida a empreendimentos que apresentam alto desempenho ambiental e energético. As principais premissas adotadas foram: conectividade de transporte público do entorno com a cidade; priorização de áreas livres de construção; controle na quantidade de escoamento superficial da água de chuva; uso racional de água com economia de até 40% de água potável; economia de água potável para irrigação; adoção de estratégias para otimização da eficiência energética do empreendimento; e otimização do depósito de resíduos sólidos (separação de lixo reciclado).

Obras

O andamento das obras do Mineirão está totalmente em dia com o cronograma firmado entre Governo de Minas e Fifa. A primeira etapa, já concluída, fez a correção de anomalias estruturais das vigas de sustentação do estádio. Na terceira e última etapa, programada para ser iniciada em dezembro deste ano, será feita toda a adequação final do Mineirão aos padrões exigidos pela Fifa, garantindo mais segurança, visibilidade e conforto ao torcedor, além de melhores condições de trabalho para os profissionais que atuam no estádio em eventos esportivos e não-esportivos. Durante a terceira etapa, será feita a cobertura adicional das arquibancadas e a esplanada no entorno do estádio, onde funcionarão o estacionamento coberto e área de serviço, com a abertura de lojas e restaurantes. Nessa fase, será construída a passarela ligando o Mineirão ao Mineirinho, arena que será usada como centro de apoio às atividades da Copa.

As obras da terceira etapa deverão ser financiadas pela iniciativa privada. A abertura dos envelopes com as propostas para participação do edital de concessão administrativa do Estádio Governador Magalhães Pinto aconteceu em agosto, e a expectativa é de que o resultado final do processo de licitação seja conhecido ainda neste mês.

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