Brasil fica em 73º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano 2010

O Brasil ocupa a 73ª posição no ranking IDH 2010 (Índice de Desenvolvimento Humano), em uma lista integrada por 169 países, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira, 4 de novembro, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). A colocação indica que o país apresenta um estágio de desenvolvimento humano elevado.

Este ano, o estudo está comemorando a 20ª edição, sob o tema A Verdadeira Riqueza das Nações: Vias para o Desevolvimento Humano. De acordo com o Pnud, não é possível fazer uma comparação com o resultado brasileiro em 2009 (77º colocado), pois neste ano o relatório traz o "novo IDH", calculado a partir de metodologia e dados diferentes. No entanto, o índice continua a ser composto por três dimensões: educação, saúde e renda.

Na saúde, a variável usada ainda é a expectativa de vida (que ficou em 72,9 anos), mas houve mudanças nos dados relativos à educação e à renda. Os IDHs antigos consideravam a alfabetização e as matrículas no primário, ensino médio e superior. Já o novo é calculado com base nos "anos médios de estudo" (número médio de anos de educação recebidos por pessoas com 25 anos ou mais) e nos "anos esperados de escolaridade" (número de anos de escolaridade que uma criança na idade de entrar na escola pode esperar receber).

No âmbito da renda, a RNB (Renda Nacional Bruta) per capita passou a ser usada, em vez do PIB (Produto Interno Bruto) per capita, incluindo fatores como remessas do exterior e ajuda internacional. A RNB no país foi avaliada em US$ 10.607 (o valor do dólar é o ajustado pela paridade do poder de compra).

"Tem havido um progresso geral em termos de saúde. Existe mais informação para entender que a educação é de melhor qualidade. A esperança de vida é mais alta e o rendimento também é mais alto no Brasil", destacou à Rádio ONU a pesquisadora Isabel Pereira, que participou da produção do relatório.

A Noruega é o país que aparece no topo, seguido por Austrália e Nova Zelândia. Na sequência vêm os Estados Unidos - todos eles apresentam desenvolvimento humano muito elevado, de acordo com o relatório do Pnud. Na América Latina, o país mais bem colocado no ranking é o Chile, que ocupa a 45ª posição, seguido pela Argentina. A nação pior colocada na lista completa é o Zimbábue.

Evolução recente

Esta não é a primeira vez que o IDH passa por mudanças — a disponibilidade de novos dados e as sugestões de alguns críticos fizeram com que o índice se adaptasse ao longo das últimas duas décadas. Porém, a fim de possibilitar que sejam verificadas tendências no desenvolvimento humano, a equipe responsável pelo relatório usou a nova metodologia não só para calcular o IDH de 2010, mas também o de 2009 e de outros seis anos de referência: 1980, 1985, 1990, 1995, 2000 e 2005. Para o Brasil, há dados completos desde 2000.

Uma das novidades do IDH 2010 é o ajuste pela desigualdade (IDH-D), que identificou as perdas no desenvolvimento humano ao considerar as desigualdades na distribuição de saúde, educação e rendimento em 139 países. Com este ajuste, o Brasil perde 27,2% de sua pontuação no IDH.

O relatório do Pnud também calculou neste ano o IDG (Índice de Desigualdade de Gênero), que mede a discriminação das mulheres. O Brasil ficou em 80º lugar, em uma lista de 138 países, que é liderada pela Holanda.

A mudança na metodologia do IDH 2010 provocou a exclusão de 17 países, para os quais não havia dados disponíveis, segundo informou o Pnud, entre eles Líbano e Cuba - que apresentavam boas colocações nos relatórios anteriores. No caso do país caribenho, não havia dados sobre renda per capita. No do árabe, faltavam dados sobre escolaridade.

O relatório não inclui o Iraque (que já estava ausente em 2009), mas inclui o Afeganistão, que também passou por guerra civil e ocupações militares nos últimos 40 anos. Os dados para o Sudão, que vive conflito no Sul, são referentes apenas ao Norte do país africano.

fonte: Portal Eco

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