Vacinação é a única forma de combater o sarampo


Há mais de 10 anos não há confirmação de casos de sarampo em Minas Gerais. Os últimos nove confirmados ocorreram em 1999. No Brasil, a última confirmação de sarampo autóctone (origem e transmissão dentro do próprio território) foi em 2000. Todos os outros casos registrados posteriormente foram importados. Mas, infelizmente, essa realidade pode mudar.
Nos últimos dois anos, 75 pessoas contraíram a doença em seis estados brasileiros (Pará, Rio Grande do Sul, Paraíba, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul). Novos casos também foram identificados em países como Canadá, Estados Unidos, Argentina e Chile, onde a circulação endêmica do sarampo já havia sido interrompida desde 2002.
De acordo com a Coordenação de Vigilância Epidemiológica de Doenças e Agravos Transmissíveis (CDAT), 17 casos suspeitos de sarampo já foram notificados em Minas Gerais em 2011, a maioria em indivíduos não vacinados, mas dentro das faixas etárias que deveriam ter sido contempladas com a vacina. Todos foram descartados por exames laboratoriais.
Oito regionais de saúde (Alfenas, Diamantina, Leopoldina, Manhumirim, Teófilo Otoni, Uberlândia, Unaí e Varginha) não alcançaram a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estabelece que a cobertura vacinal em crianças com 12 meses de idade deve ser igual ou maior que 95%.
A vacina Tríplice Viral, que imuniza contra sarampo, caxumba e rubéola, é a única forma de evitar que a doença se alastre novamente. Em 2010, foram aplicadas cerca de 250 mil doses da vacina em crianças de um ano de idade. Para 2011, a estimativa é de que 261.112 crianças sejam vacinadas. 
Segundo a técnica estadual de doenças exantemáticas, Andréia Oliveira dos Santos, uma pessoa não imunizada contra o sarampo é uma porta aberta para a entrada do vírus no país e no estado. “O sarampo é uma doença altamente contagiosa que pode levar à morte. Qualquer pessoa que não estiver imunizada corre o risco de pegar a doença. E num momento em que o Brasil busca a eliminação do sarampo, a única forma de se evitar que isso aconteça é com a vacina, aplicada gratuitamente, em todos os postos de saúde, de segunda a sexta-feira, em qualquer época do ano”, afirma.
Toda criança de um ano de idade deve ser vacinada contra a doença, sendo que uma segunda dose deve ser aplicada entre quatro e seis anos. Homens de até 39 anos e mulheres de até 49, que não foram vacinados também podem receber uma dose da vacina.  Qualquer pessoa que for viajar para regiões endêmicas, e que não estiver com o cartão de vacinas em dia, deve se vacinar pelo menos duas semanas antes da partida.
“É muito importante saber que mulheres grávidas ou que não estejam evitando a gravidez não devem ser vacinadas. Pacientes com leucemia, linfomas, AIDS e outros problemas que afetem a imunidade precisam ser avaliados individualmente”, alerta Andréia.

Sintomas e formas de contágio
O sarampo é uma doença infecciosa, altamente contagiosa, provocada pelo Morbili vírus e transmitida por secreções das vias respiratórias, ou seja, pode passar diretamente de uma pessoa à outra através de secreções expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. O contágio pode acontecer também por dispersão de gotículas no ar, em ambientes fechados como escolas, creches e ônibus.
Apesar de ser considerada uma doença da infância, o sarampo pode ocorrer em todas as faixas etárias e levar a complicações graves, como infecções respiratórias, otite (infecção no ouvido), pneumonia, encefalite (inflamação aguda do cérebro) e meningite.
Febre e exantema (erupção avermelhada na pele), acompanhadas de tosse, coriza ou conjuntivite são sinais indicativos do sarampo. Toda pessoa, independente da idade, que apresentar estes sintomas, deve procurar um serviço médico o mais rápido possível. Deve também evitar transitar em locais públicos e entrar em contato com pessoas não vacinadas ou com imunodepressão.

Cuidados gerais contra doenças de transmissão respiratória 
- Lavar as mãos com água e sabão (depois de tossir ou espirrar; depois de usar o banheiro, antes de comer, antes de tocar os olhos, boca e nariz).
- Evitar tocar os olhos, nariz ou boca após contato com superfícies.
- Usar lenço de papel descartável.
- Proteger com lenços a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, para evitar disseminação de gotículas.
- Orientar para que o doente evite sair de casa enquanto estiver em período de transmissão da doença (até sete a cinco dias após o início dos sintomas).
- Evitar aglomerações e ambientes fechados (os ambientes devem permanecer ventilados).

O que as Secretarias Municipais devem fazer em casos suspeitos
- Notificar a Secretaria de Estado da Saúde, em até 24h.
- Garantir coleta de material clínico para a realização do diagnóstico laboratorial.
- Adotar as medidas de controle (bloqueio vacinal seletivo frente aos casos suspeitos e sua ampliação na presença de sorologia reagente).
- Reforçar o monitoramento da cobertura vacinal, a vacinação de rotina, a busca de faltosos e a vacinação de bloqueio.
- Alertar os viajantes sobre a necessidade de manterem suas vacinas atualizadas antes de viajar (preferencialmente 15 dias antes da viagem).
- Reforçar a vacinação de profissionais que atuam no setor de turismo (motoristas de táxi, funcionários de hotéis e restaurantes e outros que mantenham contato com viajantes).
- Fortalecer a vacinação dos profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, dentistas e outros).
- Fortalecer a vacinação dos profissionais da educação.
- Orientar o viajante que retorna, se ele apresentar febre e exantema, para evitar o contato com outras pessoas até que possa ser avaliado por um profissional da saúde e para procurar imediatamente serviço médico, informando o trajeto de sua viagem.

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