Mulheres sofrem de depressão duas vezes mais que os homens, aponta estudo


Separação de um parceiro, condições de divórcio e viuvez. Estas são as principais causas de depressão em mulheres. A conclusão faz parte de um estudo que reuniu dados epidemiológicos provenientes de 18 países. Os resultados foram publicados terça-feira, 26 de julho, na revista BMC Medicine.

A pesquisa dividiu os países em dois grupos: alta renda (Bélgica, França, Alemanha, Israel, Itália, Japão, Holanda, Nova Zelândia, Espanha e Estados Unidos) e baixa e média renda (Colômbia, Índia, China, Líbano, México, África do Sul, Ucrânia e Brasil – com dados exclusivamente de São Paulo).

Segundo o relatório, nos países de alta renda, a idade média de início dos Episódios de Depressão Maior (MDE, na sigla em inglês) foi de 25,7 anos e 24 anos nos países de baixa e média renda. Incapacitação funcional mostrou-se associada a manifestações recentes da MDE.
O estudo também revelou que a prevalência é duas vezes maior entre as mulheres em relação aos homens. Nos países de alta renda, a juventude sofreu mais com a causa nos 12 meses anteriores à entrevista. Em contrapartida, vários dos países de baixa renda, as faixas etárias mais altas mostraram ter maior probabilidade de episódios depressivos.
A pesquisa
A depressão é uma doença caracterizada por um conjunto de sintomas psicológicos e físicos, associada a altos índices de comorbidades médicas, incapacitação e mortalidade prematura. A MDE é uma preocupação considerável para a saúde pública em todas as regiões do mundo e tem ligação com as condições sociais em alguns dos países avaliados.
De acordo com o estudo, nos dez países de alta renda incluídos na pesquisa, 14,6% das pessoas, em média, já sofreram Episódio Depressivo Maior, nos 12 meses anteriores, a prevalência foi de 5,5%. Nos oito países de baixa ou média renda considerados no estudo, 11,1% da população passaram pelo episódio alguma vez na vida e 5,9% no mesmo período. A maior ocorrência nos últimos 12 meses foi registrada no Brasil, com 10,4%. A menor foi no Japão, com 2,2%.

Todas as entrevistas foram realizadas com base no mesmo instrumento diagnóstico. Atualmente, cerca de 30 países participam da Pesquisa Mundial sobre Saúde Mental com pesquisas semelhantes .


“Em todos os países foi aplicada a mesma metodologia. No artigo internacional, foram incluídos exclusivamente os dados sobre depressão maior, mas a nossa pesquisa avalia diversos outros transtornos mentais, entre eles os de ansiedade – como pânico, fobias específicas, fobia social e transtorno obsessivo compulsivo – e transtornos de humor, como o transtorno bipolar, distimia e a própria depressão maior”, afirmou à Agência Fapesp, Maria Carmen Viana, professora do Departamento de Medicina Social da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

A iniciativa faz parte da Pesquisa Mundial sobre Saúde Mental, iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), que integra e analisa pesquisas epidemiológicas sobre abuso de substâncias e distúrbios mentais e comportamentais. O estudo é coordenado globalmente por Ronald Kessler, da Universidade de Harvard (Estados Unidos).

Segundo o levantamento transnacional, a depressão maior é uma das principais causas de incapacidade em todo o mundo. “Os dados epidemiológicos, no entanto, não estão disponíveis em muitos países, em especial os de baixa e média renda, como o Brasil. Por isso é tão importante termos esse tipo de estudo de base populacional”, esclareceu Maria Carmen.

fonte: portal Eco

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