Cemig alerta para segurança durante período chuvoso


Diante do período chuvoso que se inicia, e vai até o mês de março, a Companhia Energética de Minas Gerais – Cemig alerta para os cuidados que a população deve tomar em caso de fortes chuvas, que nesta época do ano podem vir acompanhadas de fortes ventos e descargas atmosféricas.

De acordo com meteorologista Geraldo Paixão, do Centro de Climatologia da Cemig, até a última segunda-feira (17/10), já choveu em todo o Estado 80% do esperado para todo o mês de outubro. Em Belo horizonte e na Região Metropolitana, a média é de 141 milímetros para este mês. “Espera-se que a média de chuvas seja alcançada ou até mesmo superada antes do fim de outubro”, afirma Geraldo. Em algumas regiões do Estado, como Triângulo Mineiro e Oeste, a média de chuvas para todo o mês já foi alcançada.

Segundo o engenheiro de segurança da Cemig, Demétrio Venício Aguiar, em dias de chuvas o ideal é que os consumidores permaneçam em casa até a tempestade terminar. “Estando em casa, evite ligar aparelhos eletrônicos, tomar banhos e usar o telefone. Desconecte das tomadas aparelhos como televisão, som, computadores, e se mantenha afastado das tomadas”, orienta.

Além disso, Demétrio Aguiar acrescenta que, estando fora de casa, deve-se evitar permanecer em campos abertos como pastos, campos de futebol, piscina, lagos, praias, árvores isoladas, postes, mastros e locais elevados, pois nesses locais a pessoa pode ser o ponto mais alto e atrair o raio. O ideal é procurar por locais seguros para se abrigar, como edificações de alvenaria. Em áreas rurais, não se deve permanecer próximo de tratores e outras máquinas agrícolas, nem mesmo próximo a cercas, pois essas podem conduzir descargas atmosféricas se não estiverem aterradas e seccionadas.

De acordo com o engenheiro, outra orientação importante é quanto a cabos partidos, causados em sua maioria por quedas de árvores, objetos projetados sobre a rede e descargas atmosféricas. “Caso alguém se depare com um cabo partido, é imprescindível que se mantenha distância do local, se possível não permitindo que outras pessoas se aproximem, e ligue imediatamente para o Fale com a Cemig, no telefone 116”. Se o cabo partido atingir um carro, o ideal é que se permaneça dentro do veículo e só saia após permissão da equipe da Cemig, pois o carro poderá estar energizado. Estando dentro do veículo, o ocupante estará protegido.

Curto-circuito e atuação do sistema elétrico
Uma das ocorrências mais graves em redes de distribuição é o fio partido, que acontece na maioria das vezes em dias de eventos climáticos de grande vulto, como tempestades ou ventanias.

E apesar dos circuitos contarem com várias proteções, nem sempre ocorre o desligamento automático quando um cabo se rompe. O engenheiro de planejamento do sistema elétrico da Cemig, Erivaldo Costa Couto, explica que para que os equipamentos de proteção atuem automaticamente, é necessário que a corrente de curto-circuito seja elevada, a ponto de sensibilizar as proteções.

O engenheiro esclarece que, em algumas situações, como nos casos em que o cabo partido toca o solo, coberto por asfalto, cimento ou pedra (paralelepípedo), que são materiais com pouca condutibilidade elétrica (alta impedância), pode acontecer de a proteção do circuito não identificar a corrente elétrica como sendo de um curto-circuito e sim como um elevado aumento no consumo de energia.

Ainda segundo Erivaldo Couto, os equipamentos de proteção utilizados (disjuntores, religadores, chaves fusíveis) só atuam quando a corrente elétrica atinge um valor maior que o de ajuste, e que deve ser superior à corrente que circula para atender a carga.

Assim, caso o valor da corrente seja inferior ao valor ajustado, a proteção não será sensibilizada, e por isso, o circuito não será desligado. “A forma de atuar das proteções da rede de distribuição é semelhante à do disjuntor de uma residência. O disjuntor somente irá atuar se o valor da corrente de curto-circuito for superior ao valor de ajuste do equipamento. Por exemplo, um disjuntor de 35 amperes somente irá atuar para correntes superiores a esse valor. Caso ocorra um curto-circuito de alta impedância na residência, cuja corrente seja inferior aos 35 amperes, o disjuntor não desligará o circuito”.

Solução
Segundo o professor José Oswaldo Paulino, da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, essa realidade não é exclusiva da Cemig. “Todas as empresas que trabalham com rede de distribuição no mundo enfrentam a mesma situação. Mas existem estudos que já estão bem adiantados na França e na Espanha, que visam minimizar o problema. E também há dois projetos importantes de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) Aneel sendo estudados pela Cemig em parceria com a UFMG, que poderão ser a solução no futuro”.

De acordo com o professor, um dos projetos estuda viabilizar uma forma de fazer com que as proteções “enxerguem” a corrente de curto-circuito mesmo em situações em que ocorre a alta impedância, através de um equipamento que ficaria entre a rede e o solo. “O projeto não soluciona definitivamente o problema, mas vai aumentar muito o campo de atuação das proteções”.

Ass. Cemig

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