Bom Despacho pede ações contra crimes no campo

Dificuldades na cadeia produtiva do leite também foram discutidas em audiência pública realizada no município


Participantes cobraram ações para garantir a segurança e para viabilizar a produção leiteira - Foto: Willian Dias
O combate à criminalidade no campo no Estado tem sido prejudicado, segundo policiais, pela falta de efetivo e pela redução dos investimentos em segurança. De acordo com o delegado de Bom Despacho, Thales Gontijo de Queiroz Cançado Junior, o número de policiais civis do município é o mesmo de 16 anos atrás. “Em 2014, o Executivo destinou R$ 33,3 milhões para investimentos em segurança. Em 2015, foram apenas 4,3 milhões, com 86% de queda. A Polícia Militar também recebeu quase R$ 100 milhões a menos”, afirmou, citando dados estaduais. Ele defendeu a criação de uma polícia especializada em crimes praticados na área rural.
O tenente Aelson José Oliveira, do 7º Batalhão da Polícia Militar, detalhou que a PM tem cinco patrulhas rurais para 19 municípios da região, mas poucas funcionam de forma efetiva, justamente pela falta de pessoal. O melhor resultado, segundo ele, é observado em Bom Despacho, onde a população do campo está voltando a ter a sensação de segurança. “O foco do trabalho está na prevenção, com a mudança de comportamento do produtor”, afirmou. As orientações, segundo ele, vão desde a redução dos estoques de insumos até o cuidado com o a casa e com o maquinário, que deve ser guardado.
O debate foi solicitado pelos deputados Fabiano Tolentino (PPS), presidente da comissão; Emidinho Madeira (PSB), vice; Inácio Franco (PV), Nozinho (PDT), Rogério Correia (PT) e Antônio Carlos Arantes (PSDB). Tolentino citou que o presidente de uma cooperativa de agricultores em Divinópolis (Centro-Oeste) foi morto durante um roubo em sua fazenda e defendeu que os produtores possam se armar para fazer a defesa das propriedades. “O homem do campo está desprotegido. Hoje o roubo é de carga fechada, de carreta”, concordou Inácio Franco.
Os parlamentares criticaram a redução dos investimentos em segurança e a falta de apoio por parte dos governos federal e do Estado, sobretudo em função da importância do setor agropecuário para a economia. Tolentino salientou que a comissão está discutindo o tema em várias cidades e anunciou para o mês de agosto um debate conjunto com a Comissão de Segurança Pública da ALMG para cobrar ações do Executivo de Minas e propor a criação de uma polícia especializada contra crimes do campo.

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