quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Trabalhadores do Correios estão de Greve

                                                      Trabalhadores  dos Correios em BD

Desde segunda-feira, 17, os profissionais dos Correios estão de Greve. Em Bom Despacho, os trabalhadores aderiram o movimento e fazem o serviço de forma remota.

Nesta quinta-feira, 20, profissionais de entrega que trabalham em Bom Despacho fizeram uma manifestação em.torno da sede dos Correios no centro de Bom Despacho. Eles querem melhores condições de emprego, como a manutenção dos benefícios acordados com a empresa.

Em Nota o Correios esclarece  que apenas 17% dos serviços foram afetados e que a empresa está em fase de negociação com os funcionários. Já os trabalhadores seguem a  decisão de seguir  o calendário da Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios (FENTECT), que representa a categoria na mesa de negociação com a direção da Empresa. Tal proposta deverá ser referendada pelas Assembleias Gerais que ocorreu em todo o Brasil no  dia 17. 


Nota do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios

Trabalhadores dos Correios  na luta em defesa dos seus direitos e da Empresa pública e de qualidade para o povo brasileiro Os 36 sindicatos que representam os trabalhadores do Correios de todo o território nacional aprovaram o indicativo de Greve Geral da categoria àpartir das 22h do dia 17 de agosto, por tempo indeterminado, contra a retirada de direitos históricos dos ecetistas, que vai rebaixar em até60% o poder de compra dos trabalhadores.

 Esta decisão segue o calendário da Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios (FENTECT), que representa a categoria na mesa de negociação com a direção da Empresa. Tal proposta deveráser referendada pelas Assembleias Gerais que ocorrerão em todo o Brasil no próximo dia 17. Durante as negociações entre a direção dos Correios e as entidades sindicais, a Empresa trouxe àmesa a proposta de exclusão de praticamente todas as cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) da categoria, o que inviabilizou qualquer possibilidade de diálogo com os trabalhadores. Neste sentindo, a Greve Geral, um direito legal dos trabalhadores, se apresenta como o único instrumento de luta em defesa dos direitos, emprego e sustento dos ecetistas e suas famıĺias. 

Importante destacar que o atual Acordo Coletivo estava garantido até o dia 31 de julho de 2021, conforme decisão colegiada do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Contudo, numa ação sem precedentes, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, por meio de uma liminar monocrática, suspendeu os efeitos da vigência do último ACT, ação que foi utilizada pela direção da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) para, de forma brutal, tentar excluir 70 cláusulas do atual Acordo, além de propor 0% (zero por cento) de reajuste salarial para a categoria. O fato éque, conforme demonstrado nas divulgações do balanço contábil de 2017, a Empresa teve lucro de R$ 667 milhões. 

Em 2018 este lucro de R$ 161 milhões; R$ 102 milhões, no ano de 2019 e, agora, em 2020, já apontou um lucro de R$ 383 milhões até o im de julho, obtendo lucros por quatros anos consecutivos. Só no ano passado, o superávit da Empresa foi na ordem de R$ 102,5 milhões. Não há situação de penúria na ECT, que inclusive vem reduzindo despesas com o corte do plano de saúde dos trabalhadores, outro forte ataque contra a categoria. E mais! 

Os Correios devem ter lucro este ano, mantida a situação atual, na ordem de R$ 800 milhões, uma vez que a própria Empresa anunciou que no perıó do da pandemia as postagens de encomendas superaram a ordem de 25%. Nós, do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Minas Gerais (SINTECT-MG), entendemos que a postura da ECT, seguindo a cartilha do Governo Federal, visa acelerar o processo de privatização da Empresa. Nosso objetivo é a preservação do último Dissıd́ io da categoria, julgado em outubro do ano passado pelo TST, com vigência de dois anos, reeditando as cláusulas do Acordo Coletivo 2018/2019. Este é mıń imo para garantir paz e segurança jurıd́ ica mais duradoura aos trabalhadores dos Correios, que possuem o menor salário entre as empresas públicas. Isso sem falar que o processo de privatização, além de promover a demissão de milhares de trabalhadores, signiica entregar o segredo comercial brasileiro às empresas privadas internacionais, além de desmontar o sistema de logıś tica e acabar com a integração nacional. Os trabalhadores dos Correios merecem respeito e não irão aceitar que o lucro seja colocado acima da vida. 

Trabalhamos com péssimas condições de trabalho; com salários defasados e sendo expostos ao vıŕ us. O Correio foi taxado como serviço essencial, seus trabalhadores devem receber o mesmo tratamento, pois, de fato, são essenciais para diversas atividades que dizem respeito à sociedade. Não aceitamos ser tratados como “objetos descartáveis”. A greve é em defesa dos nossos empregos, nossos salários, nossos direitos e, acima de tudo, em defesa das nossas vidas. 

Veja a Nota da Empresa:

Nota dos Correios sobre a paralisação parcial de empregados

A paralisação parcial dos empregados dos Correios, iniciada nesta segunda-feira (17) pelas representações sindicais da categoria, não afeta os serviços de atendimento da estatal.

Levantamento parcial, realizado na manhã desta terça-feira (18), mostra que 83% do efetivo total dos Correios no Brasil está trabalhando regularmente.

A empresa já colocou em prática seu Plano de Continuidade de Negócios para minimizar os impactos à população. Medidas como o deslocamento de empregados administrativos para auxiliar na operação, remanejamento de veículos e a realização de mutirões estão sendo adotadas.

Funcionamento – A rede de atendimento dos Correios está aberta em todo o país e os serviços, inclusive SEDEX e PAC, continuam sendo postados e entregues em todos os municípios.

Para mais informações, os clientes podem entrar em contato pelo telefone 0800 725 0100 ou pelo endereço https://apps2.correios.com.br/faleconosco/app/index.php

Negociação - Desde o início das negociações com as entidades sindicais, os Correios tiveram um objetivo primordial: cuidar da sustentabilidade financeira da empresa, a fim de retomar seu poder de investimento e sua estabilidade, para se proteger da crise financeira ocasionada pela pandemia.

Conforme amplamente divulgado, a diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção em pauta é da ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações da Fentect, por sua vez, custariam aos cofres dos Correios quase R$ 1 bilhão no mesmo período - dez vezes o lucro obtido em 2019. Trata-se de uma proposta impossível de ser atendida.

Diversas comunicações inverídicas e descontextualizadas foram veiculadas, com o intuito apenas de provocar confusão nos empregados acerca dos termos da proposta. À empresa, coube trazer as reais informações ao seu efetivo: nenhum direito foi retirado, apenas foram adequados os benefícios que extrapolavam a CLT e outras legislações, de modo a alinhar a estatal ao que é praticado no mercado.

Os trabalhadores continuam tendo acesso ao benefício do Auxílio-creche, para dependentes com até 5 anos de idade. Os tíquetes refeição e alimentação também continuam sendo pagos, conforme previsto na legislação que rege o tema, sendo as quantidades adequadas aos dias úteis no mês, de acordo com a jornada de cada empregado: 22 tíquetes para quem trabalha de segunda a sexta-feira e 26 tíquetes para os empregados que trabalham inclusive aos sábados ou domingos.

Estão mantidos ainda - aos empregados das áreas de Distribuição/Coleta, Tratamento e Atendimento -, os respectivos adicionais.

Vale ressaltar que, dentre as medidas adotadas para proteger o efetivo durante a pandemia, a empresa redirecionou empregados classificados como grupo de risco para o trabalho remoto - bem como aqueles que coabitam com pessoas nessas condições –, sem qualquer perda salarial.

Respaldados por orientação da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), bem como por diretrizes do Ministério da Economia, os Correios se veem obrigados a zelar pelo reequilíbrio do caixa financeiro da empresa. Em parte, isso significa repensar a concessão de benefícios que extrapolem a prática de mercado e a legislação vigente. Assim, a estatal persegue dois grandes objetivos: a sustentabilidade da empresa e a manutenção dos empregos de todos.

É importante lembrar que um movimento paredista agrava ainda mais a debilitada situação econômica da estatal. Diante deste cenário, a instituição confia no compromisso e responsabilidade de seus empregados com a sociedade e com o país, para trazer o mínimo de prejuízo possível para a população, especialmente neste momento de pandemia, em que a atuação dos Correios é ainda mais essencial para o Brasil.

 

Assessoria de Imprensa



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