PADRE REGINALDO

Padre Reginaldo Manzotti fala pela primeira vez sobre boatos de ...










Solenidade de Pentecostes 

Filhos e filhas,

Que alegria celebrar o encerramento do mês mariano junto com a Solenidade de Pentecostes. Maria, a “bendita entre todas as mulheres”, foi a primeira pessoa a receber a manifestação do Espírito Santo em plenitude, quando abrigou em seu ventre o Filho do Altíssimo, concebido pelo poder do Espírito Santo.

Depois também, quando ela e os Apóstolos reunidos no Cenáculo recebem a efusão do Espírito Santo. Assim, Maria que já o possuía, teve os dons estimulados para junto com os Apóstolos formar a Igreja. Esse acontecimento foi um derramamento de uma unção, de um Espírito Santo que vem sobre nós, sobre a Igreja e a sustenta alicerçada.

O fogo do Espírito Santo incendiou o coração dos Apóstolos fazendo com que eles tivessem uma transformação. Ao sair do Cenáculo, Pedro não era o mesmo de quando entrou. Assim como também João não era mais o mesmo quando entrou com Maria. Eles sentiram aquela força que veio do alto para capacitá-los, para realmente fazer com que eles fossem para o mundo.

Ao celebrarmos esta festa, devemos realmente viver um novo Pentecostes. Cada vez mais, nós católicos batizados, não sejamos meros cristãos que participam da Igreja, mas vem e voltam da mesma maneira. Nada toca o coração. Com nossas almas geladas, tanto faz como tanto fez porque falta Pentecostes, falta unção. Não deixamos o fogo do Espírito queimar a alma. Não cedemos a Deus e Ele não consegue trabalhar em nós. Temos o título de cristão, mas não temos unção de cristão. Comungamos Jesus, mas não fazemos comunhão com Ele. Rezamos da boca para fora e vivemos numa hipocrisia, porque não deixamos que o Espírito Santo faça o que fez com os apóstolos.

Deveríamos permitir e pedir que o Espírito Santo viesse sobre nós e queimasse o que é fútil, pueril, o que é máscara, o que é alma gelada e coração duro. Estamos com as portas do coração fechadas e, às vezes, queremos também fechar as portas da própria Igreja, quando nos faltam os frutos do Espírito Santo e excluímos pessoas. Aliás, para aprofundar nesse assunto sugiro uma Playlist que está no meu canal do YouTube.

No Espírito Santo, da mesma forma que a Igreja nascente surgiu em Pentecostes, nós precisamos passar por essa transformação em nossas vidas, senão a Palavra de Deus não ecoa. A semente não brota, não produz. Nossas comunidades não afloram. Nossas pastorais não progridem. Nossa vida espiritual não decola para Deus. Vem ano, vai ano e ficamos na mesmice entrando na Igreja como se entrássemos em um “shopping”.

Estamos perdendo a noção do sagrado! Por isso, não podemos nos fechar a esse fogo que queima e faz insuportável viver sem Deus. Estamos nos preparando para a Festa de Pentecostes e sem dúvida, todos já ouviram a expressão: “Deus não escolhe os capacitados, Ele capacita os escolhidos”. Ele nos capacita concretamente com os dons do Espírito Santo.

Quantas vezes ficamos numa vida cheia de caminhos sem saber qual escolher e não conseguimos achar um fio que nos conduza para fora desses labirintos. Mas se soubéssemos nos apropriar dos dons do Espírito e deixássemos que eles agissem em nós seria diferente.

Que nesse Pentecostes de 2020, tão peculiar e único, possamos realmente receber em nossos corações o Espírito Santo e reavivar em nós a fé, a esperança e todos os dons e frutos do Espírito Santo.

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti


Fé em Jesus

Filhos e filhas,

Esta época que estamos vivendo, um marco na história, nos faz valorizar a fé que recebemos, seja de nossa família ou outra fonte. Devemos ser gratos, pois é agora que nossa fé nos sustenta e o encontro com Jesus nunca foi tão importante.

Com certeza não há quem, em dado momento da vida, não tenha ouvido falar de Jesus e este anúncio para quem O busca e O deseja faz toda a diferença. Muitas pessoas que ouvem falar de Jesus, no princípio, se aproximam Dele por curiosidade, mas quando começamos a conhecê-Lo melhor, passamos a ter intimidade com Ele, somos envolvidos por seu imenso amor.

Esse encontro nos transforma, nos muda total e inteiramente, a ponto das pessoas que nos cercam reconhecerem a mudança em nosso jeito de ser e agir. Jesus não nos força a nada, não arromba nosso coração, mas quando damos pelo menos uma brechinha, Ele entra lentamente em nossa vida, realiza maravilhas e quando percebemos, já não conseguiremos viver sem Ele.

Todo nosso ser é tomado por Ele e essa experiência do Seu amor e de Sua presença em nós é que nos leva à mudança. Passamos a querer imitar o Mestre, a tentar agir como Ele, a tentar ver as coisas e as pessoas com o olhar semelhante ao Dele e vamos descobrindo o verdadeiro sentido da nossa vida.

Seguir Jesus requer autenticidade e fidelidade, a Ele ninguém engana, Ele conhece os nossos pensamentos e sentimentos. Quando pensamos em procurá-Lo, Ele já nos encontrou.

Todo o servir por amor a Jesus faz a diferença. Às vezes, nos cansamos, a coisa fica mecânica e não aguentamos. Tudo se torna enfadonho porque entendemos nossa vida em Deus como uma obrigação e a obrigatoriedade não é fruto do amor. E é nesse momento que devemos pedir o Espírito Santo de Deus, para renovar em nós o amor.

Só encontramos nossa felicidade, nossa vida plena em Jesus Cristo, não adianta buscar em outro lugar ou pessoa. Santo Agostinho compreendeu isto e lamentava: “Tarde Te amei... Eu poderia ter encontrado esta felicidade antes”. Podemos encontrar Jesus e não ser mais um serviçal, ser como Ele mesmo nos chamou “amigos”. Ninguém é servo de Jesus. Somos amigos e foi Ele quem nos autorizou e confirmou esta amizade (cf. Jo 15,15). Essa experiência pessoal com Jesus é fundamental, é essa experiência que traz a alegria de Deus.

E aqui, filho e filha, eu pergunto: você já foi olhado por Jesus? Ou melhor, você já olhou nos olhos de Jesus, quando está diante do Santíssimo? Isso é de um valor incomensurável, se ajoelhar em frente do Sacrário e fazer como Santa Teresinha de Lisieux, “Jesus, tua menina chegou, tua menina está aqui”, não precisa nem rezar, somente se colocar sob o olhar de Jesus. Se sentir vontade de chorar, chore. Se sentir vontade de cantar, cante. Se não sentir vontade de fazer nada, não faça. Apenas saber que está sob o olhar de Jesus basta. Jesus nos olha com amor (cf. Mc 10,21).

Volto a perguntar: você já sentiu esse olhar de Jesus que diz: “Eu te amo”? Esse olhar de Jesus muda toda a nossa vida e nos leva a uma experiência de amor tão grande que nos faz nos apaixonar por Ele a ponto de afirmar: “Jesus é meu amado, é a razão da minha vida!”

Vários santos e santas, como Santo Agostinho, já citado, e Santa Rita de Cássia, celebrada no dia 22 deste mês, próxima sexta-feira, encontraram isso. Nós também podemos encontrar.

Que Nossa Senhora nos ajude nesse encontro com Jesus Cristo. Amém

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti






Dia de Maria

Filhos e filhas,

A treze de maio na Cova da Iria

No céu aparece a Virgem Maria

Ave, ave, ave Maria

Ave, ave, ave Maria

“Não tenhais medo, não vos faço mal. Sou do céu”. Com essas palavras iniciais, Nossa Senhora interferiu na história humana para, num ambiente de guerra, trazer mensagens de paz e salvação. Já em sua saudação, repetiu o que seu Filho tantas vezes recomendou: “Não tenhais medo” (Mt 14,27).

Entre tantas manifestações, as ocorridas em Fátima, Portugal, foram aquelas nas quais Maria mais falou e aconselhou. São também a que dispõem de maior número de registros, em grande parte, pelo fato de serem recentes, ocorridas em 1917 e também em razão da permanência entre nós, durante muitos anos da pastorinha Lúcia, principal interlocutora de Nossa Senhora. Lúcia viveu como freira carmelita enclausurada e sua morte ocorreu em 13 de fevereiro de 2005, aos 97 anos.

Maria apareceu aos três pastorinhos – Jacinta, Francisco e Lúcia – e referiu-se ao céu e ao inferno como uma realidade indiscutível, lembrando o que Jesus já havia afirmado: “Eu voltarei para o Pai e vos prepararei um lugar” (Jo 1,2-3). À Jacinta, respondeu sobre sua ida para junto do Pai com um sim imediato; a Francisco, impôs a condição de rezar o terço. Quanto à Lúcia, garantiu o céu após muitas tribulações.

Somos instigados por Nossa Senhora de Fátima a buscar o céu como uma realidade última dos bem-aventurados e a romper com todo e qualquer pacto com o Inimigo de Deus.

Em suas aparições, Nossa Senhora também comentou sobre a chegada da paz, em particular o fim da Primeira Guerra Mundial. Porém, numa reflexão extremamente atual, revelou que os conflitos rurais, urbanos, familiares e pessoais somente seriam pacificados quando no coração humano pulsassem os sentimentos do Sagrado Coração de Jesus e do Imaculado Coração de Maria.

Na última aparição, trouxe o Menino Jesus e ao se despedir, insistiu veementemente na recitação do terço. Por fim, o sol estremeceu mediante as bênçãos derramadas sobre o mundo por intercessão de Maria e pelo próprio Jesus Cristo, Senhor Nosso.

Nessa aparição em especial, há algo muito importante a ser destacado. Maria não só insistiu na necessidade de rezarmos, mas também ensinou uma oração que posteriormente foi incorporada na recitação do terço:

“Quereis aprender uma oração? Quando rezais o terço, dizei em cada mistério: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei as que mais precisarem. Amém”.

Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós.

Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti








Mês de Maria
Filhos e filhas,
Estamos ainda no início de maio e estamos celebrando um mês com Nossa Senhora, culminando com o derramamento do Espírito Santo no Pentecostes. E na última terça, lancei o meu mais novo – e ousado - trabalho musical: CD e DVD “Tempo de Inovar”.
Investi em diferentes ritmos, na tentativa de atingir outros públicos, pois evangelizar é preciso. Ritmos jovens com mensagens que edificam o ser humano, músicas para ouvir e curtir com toda a família. Assista, ouça e indique e principalmente, a música Mais Amor Por Favor. Essa canção é muito inspiradora, pois nos remete a um autoquestionamento de quantas oportunidades deixamos passar que poderíamos ter amado mais.
Mas não vou dedicar toda essa mensagem sobre esse novo trabalho. Mais do que falar a respeito, quero que você ouça, assista e também seja inspirado a ser mais ousado e criativo na sua vida, afinal, é Tempo de Inovar!
Quero ainda dedicar esse espaço para falar de Maria, pois o primeiro boletim de maio não poderia ser diferente, não é? Maria foi a primeira anunciadora do Filho, ao visitar sua prima Isabel, é portadora da alegria da boa-nova e da luz do Espírito Santo.
Foi pela fé que ela, ao dar à luz a Jesus, entre os animais em um estábulo, acreditou que ele era o Filho de Deus. E, quando o viu maltratado e crucificado, acreditou que ele era o Salvador. Humilde e obediente, Maria se sujeita à lei mosaica da purificação, embora o mistério da concepção e do parto virginal a preserve de qualquer impureza e apresente no Templo, Aquele que é o Filho de Deus, o próprio Deus (Lc 2,22-24).
Foi pela fé e confiança em Deus que se manteve firme quando ouviu do velho Simeão a profecia, que mãe nenhuma suportaria ouvir com resignação: “Eis que este menino vai ser causa de queda e elevação de muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Quanto a você, uma espada há de atravessar-lhe a alma. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações” (Lc 3,34-35).
Foi pela fé, confiança e esperança em Deus, que a motivou quando precisou fugir para o Egito com o Menino Jesus nos braços para salvá-lo da morte pelo extermínio, que Herodes ordenou se fizesse aos recém-nascidos (Mt 2,13-14).
No acontecimento do Calvário, aos pés da cruz, o Evangelista João (que esteve ao seu lado) mostra a mãe, mulher forte, junto do Filho, em pé, acolhendo o legado de mãe da humanidade, que Jesus deixou em Suas palavras: “Filho, eis aí tua mãe. Mãe, eis ai teu filho” (Jo 19,25-27).
Maria sentiu a dor e a profunda solidão ao ver Seu Filho morrer. Muitas mulheres se identificam com ela no sofrimento de perderem seus filhos e nela encontram o conforto, o consolo e a força de superar. Pela fé acreditar que com Cristo e em Cristo podemos tirar e esperar algo bom das grandes tribulações, como Maria esperou a madrugada da ressurreição, como da Cruz brotou nossa salvação.
Maria continuou com sua missão junto aos apóstolos: “Ao final desta missão do Espírito, Maria torna-se a ‘Mulher’, nova Eva, ‘mãe dos viventes’, Mãe do ‘Cristo total’. É nesta qualidade que ela está presente com os Doze, ‘com um só coração, assíduos à oração’ (At 1,14), na aurora dos ‘últimos tempos’ que o Espírito vai inaugurar na manhã de Pentecostes, com a manifestação da Igreja” (CIC 726).
Ela é a Mãe da Igreja, a mãe que intercede por nós junto a Jesus. Como nas Bodas de Caná, ela continua a ver nossas necessidades e leva-las ao Filho, ao mesmo tempo continua sempre a nos dizer: “Façam tudo o que meu Filho vos disser” (cf. Jo 2,5).
Termino citando São Francisco de Sales: “Não existe devoção a Deus sem amor à Santíssima Virgem”. Então que nesse 1 mês com Nossa Senhora possamos aumentar nosso amor a Maria e obediência a seu Filho, Jesus.
Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti










CAIM & ABEL 


Filhos e filhas,
Tenho ressaltado que nós precisamos aprender com tudo isso que estamos passando. Tenha certeza filho e filha, tudo isso vai passar e nós não podemos deixar de aproveitar esse momento para sermos pessoas melhores sem egoísmo, orgulho ou inveja.
Nessa mensagem de hoje, ainda inspirado pela leitura orante do Livro do Gênesis que estamos fazendo no programa Experiência de Deus, quero me debruçar sobre a inveja que se traduz na tristeza sentida diante do êxito ou do bem-estar de outra pessoa e no desejo incontrolável de se apropriar disso. É um sentimento amargo de desgosto em relação às vitórias, às conquistas, à felicidade ou, simplesmente, ao jeito de ser daquele que é invejado. Não há pré-requisito para que a inveja se manifeste. Ela está presente em todas as classes e grupos sociais, incluindo os religiosos. No Antigo Testamento, há exemplos de homens que, movidos pela inveja, mentiram, roubaram e até mataram.
A mais conhecida é a história de Caim e Abel, dois irmãos de sangue. Abel pastor de ovelhas e Caim agricultor, que, juntos, foram fazer sacrifícios ao Senhor. Caim ofereceu frutos da terra e Abel os primogênitos do seu rebanho. Aconteceu que Deus olhou para Abel e sua oferenda e não olhou para Caim. Então Caim deixa o coração endurecer e dá valor ao ciúme que leva à inveja, um pecado capital (cf. Gn 4,1-5).
Caim ficou com inveja da docilidade de Abel, porque ele representa aquele que é dócil a Deus e por esta razão, obteve o olhar Dele como nos mostra a Carta aos Hebreus: “Foi pela fé que Abel ofereceu a Deus um sacrifício melhor que o de Caim. Graças a ela foi declarado justo e Deus apresentou o testemunho dos seus dons. Graças a ela, mesmo depois de morto, ele ainda fala!” (Hb 11, 4)
Movido pela inveja, Caim chega ao extremo de matar, literalmente falando, derramando o sangue do irmão. Nós podemos matar de outras formas, nós podemos executar os irmãos dos nossos afetos, separar e extinguir da nossa vida.
A inveja é um pecado capital e as “filhas” geradas por ela são a murmuração (fofocar e falar sobre os outros de forma geral, mesmo que sejam fatos verdadeiros), detração (maldizer, difamar, ou seja, recorrer à calúnia para denegrir a imagem de alguém), ódio (não apenas se incomodar com a superioridade da outra pessoa, como também desejar seu mal em todos os aspectos), exultação pela adversidade alheia (regozijar-se com a desgraça de outrem) e finalmente, aflição motivada pela prosperidade dos outros (a glória do próximo incomoda a tal ponto que leva o invejoso a tentar impedi-la).
Por esse descritivo, fica evidente que a inveja possui um caráter gradativo, podendo evoluir da simples cobiça para um sentimento de posse (querer a qualquer custo) e até para algo mais destrutivo (“Se não posso ter, ninguém mais terá”). São João Crisóstomo alertou: “Os invejosos são piores que o diabo, pois o diabo não inveja os outros diabos, ao passo que os homens não respeitam sequer os participantes da sua própria natureza”.
Nós temos que lidar com isso, porque às vezes somos invejosos. Devemos entender que admirar a beleza, o sucesso, a inteligência e esforçar-se para também alcançá-los não significa ter inveja. Mas, o fato de não ficarmos felizes com o bem-estar do outro é o primeiro indício de que a inveja está brotando.
E a inveja, além de ferir o 10º Mandamento da Lei de Deus, é como o câncer, uma doença que cresce silenciosa e quer tomar-nos por inteiro. Assim, não há como remediar, sendo necessário extirpá-la completamente.
A melhor forma de combater a inveja é por meio da inversão de valores, transformando seus principais pecados – materialismo exagerado, cobiça, sentimento de posse e destruição – em seus opostos, ou seja, virtudes como espiritualidade, altruísmo, generosidade. Santo Agostinho sugeriu transformar a inveja em admiração e imitação, isto é, em vez de nos entristecermos pelas qualidades e vitórias do próximo, temos de admirá-las e dar graças a Deus por elas.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti.








FESTA DA MISERICÓRDIA


Filhos e filhas,
No último domingo, 19 de abril, vivemos uma Festa da Misericórdia diferente. Respeitando o distanciamento social, pregamos sobre como sermos novas criaturas depois disso tudo. Estamos vivendo uma experiência mundial e temos a obrigação de aprender com ela.
A solidariedade se faz muito necessária e por isso, gostaria de aqui refletir sobre a Parábola do Bom Samaritano. Se você ainda não conhece vale a pena ler Lc 10,25-37 e aprender que Deus nos faz um apelo para que sejamos como Jesus, o Bom Samaritano, por excelência. Jesus apresenta a parábola depois de questionado sobre quem é o nosso próximo.
Sejamos sinceros: se pudéssemos escolher nosso próximo e o momento de fazer a caridade seria mais fácil. Entretanto, o próximo se impõe e a necessidade do outro não escolhe horário. O “próximo” não somos nós que escolhemos, é a vida que nos interpõe. Ninguém pode escolher seu “próximo”, é o momento que nos traz. Podemos estar saindo para comprar pão e o “próximo” estar ali, entre a casa e a panificadora. Às vezes, o próximo se coloca em nossa vida como se colocou na vida do sacerdote que virou as costas e foi embora, na vida do levita que também passou e não se tocou.
Voltando ao primeiro raciocínio, Jesus é o Bom Samaritano. Quando Jesus conta a Parábola, está falando isso e nós somos chamados a sermos hoje Bons Samaritanos. Fico pensando naquele homem que apanhou dos ladrões e foi deixado, todo machucado, quase morto e Jesus diz que o samaritano o levou para a hospedaria.
Jesus é aquele que é capaz de passar pelos caminhos e acolher aqueles que estão precisando de misericórdia. Ele os leva para a hospedaria, que é seu coração. Conforta-me pensar que Jesus age dessa forma, recolhendo aqueles que caíram, e se perderam, porque se não nos cuidarmos nos perdemos.
Por isso, quanto mais pudermos, sejamos misericordiosos. Perdoemos mais, se alguém nos fez alguma ofensa, perdoemos. Quando tivermos oportunidade de revidar, não revidemos. Se alguém nos fizer mal, nos fizer desaforos e tivermos oportunidade de passar para a frente, falar mal, mesmo que estejamos cobertíssimos de razão. É nessa hora que somos chamados a dizer: “Não, eu não vou falar. Eu vou relevar”. Isso conta pontos no céu e Deus agirá dessa forma conosco. Sempre fique com essa imagem: “Eu quero ser o Bom Samaritano”.
Todo mundo gosta de elogiar o Bom Samaritano, mas eu também gosto de elogiar o hospedeiro. Penso que primeiro o dono da hospedaria recebe uma pessoa ferida, trazida por um forasteiro que diz: “Eu te dou esse dinheiro faça tudo que você puder por ele, se gastar mais, na volta eu te pago”. Quem garante que ele pagaria? Quem garante que ele vai voltaria? Para mim, o hospedeiro e a própria hospedaria é o Coração de Jesus e é esse coração de Deus, que acredita, que não importa se vai receber ou não. Que quer curar, quer libertar.
Olhemos para as suas chagas o desprezo e a traição que sofreu e nem por isso deixou de acolher a todos em seu coração. Jesus viu a humanidade caída e compadeceu-se. Ele viu que o ser humano foi assaltado, roubaram das pessoas a esperança, tiraram das pessoas a fé. Os acontecimentos da vida minam, tiram, esfacelam a imagem de Deus em nós e deixam-nos machucados e desfalecidos à beira do caminho. Mas, podemos contar com a misericórdia divina, pois Jesus se tornou um de nós, Ele desceu até nós e encheu-se de compaixão.
Ele levantou o gênero humano assumindo nossas culpas e levando consigo nossas dores. Ele nos tomou nos braços, derramou seu sangue para nos lavar do pecado e nos ofereceu o óleo de seu Espírito. Carregou-nos e levou-nos à hospedaria da casa do Pai, que é a Igreja. Jesus já pagou as despesas na cruz, deu tudo o que tinha. Entregou as duas moedas de prata, o sangue e a água que saíram de Seu Coração transpassado e disse: Eu voltarei e tudo que a Igreja faz e tudo o que também nós fizermos a mais para aqueles que estão caídos Ele restituirá em graças.
Tenho observado como as pessoas realmente estão machucadas, como estão precisando que ajamos como o bom samaritano. Há muitos feridos em nosso caminho e não podemos passar por eles e desviar. Às vezes, nós somos miseráveis também na ajuda ao próximo, o que a nossa direita faz a nossa esquerda já cobrou faz tempo ou nossa língua fica contando para todo mundo e vai se inflando nosso ego. Sinceramente, se for para se vangloriar e se envaidecer, o gesto perde o sentido.
Jesus nos ensina que a compaixão é uma atitude tão profundamente humana quanto divina. Por isso, deixemo-nos amar pelo Bom Samaritano e amemos nosso próximo como Bom Samaritano.
Deus abençoe,

Padre Reginaldo Manzotti






               RESSURREIÇÃO DE CRISTO

filhos s e filhas,
Ressuscitou Aleluia! Verdadeiramente ressuscitou, aleluia!
A vitória com Deus é certa! Temos essa certeza porque Jesus Ressuscitou, venceu a morte e nos garantiu a vida eterna. Ele fez nova todas as coisas!
No 1º dia Deus fez a luz, Ele começa a criar o mundo dizendo: faça-se a luz, primeiro dia da criação. Ele podia ter feito o homem, mas Deus fez a luz. (cf. Gn 1,1-3). E no primeiro dia da semana, no raiar do sol, as mulheres foram ao túmulo e não encontraram Jesus. No 1º dia da semana Deus disse: faça-se a luz e no primeiro dia da semana Jesus fez a luz nascer de novo para a humanidade. A ressurreição! (Mt 28,1-10).
A ressurreição vai contra qualquer princípio humano, antropológico, biológico e escatológico. Ele venceu o diabo, Ele venceu seus algozes, Ele venceu o sepulcro, e aqui reside a minha e a tua fé! Se você caminhar até a Sexta-feira Santa ou Sábado Santo e parar por aí, tudo acabou, porque a vitória de Jesus está no primeiro dia da semana. Cristo ressuscitou, essa é a diferença!
Se Jesus tivesse terminado num sepulcro, eu não seria Padre e você não seria católico, porque morrer todos nós vamos, não tem glória nenhuma em morrer. Se olharmos para os grandes imperadores todos morreram, e os grandes impérios ruíram. Então, o que fez a diferença é o fato de Jesus Cristo ter morrido na cruz? Também não! Pouco antes de Jesus morrer na cruz, mais de seis mil judeus foram crucificados de Roma até a Judeia. O que faz a diferença em Jesus Cristo é o fato de que foi o único que morreu e voltou à vida.
O sepulcro estava vazio, isso era algo de novo. Na nossa vida há uma única certeza:  de que ninguém vai viver eternamente na Sexta-feira Santa. Não se iluda, a maior parte da nossa vida é peleja, é sofrimento, é tribulação. Todos têm dificuldades, a diferença é a certeza da vitória seja nessa ou na outra vida, garantida por Cristo na Ressurreição.
Por tudo isso quis inserir na imagem de Jesus das Santas Chagas a superação da morte, as chagas de Cristo são chagas gloriosas. Pode-se notar que são feridas cicatrizadas, são marcas de quem amou até o fim.
Outro detalhe é a pedra que está atrás de Jesus, sim a pedra do sepulcro não é mais empecilho para Cristo, ela está atrás dele, menor que ele, sendo apenas mera memória de um cárcere mortuário incapaz de reter em si a vida que resplandece com a força da ressurreição.
Não posso terminar essa mensagem sem citar que estamos prestes a celebrar a Festa da Misericórdia, agora no segundo Domingo da Páscoa. Jesus garantiu que, para aqueles que na Festa da Misericórdia recorressem a Ele, faria abrir todas as comportas de graças e bênçãos.
Ele disse a Santa Faustina: “Nesse dia estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças nas almas que se aproximam da Minha misericórdia. (Diário 699). E prometeu: “Todos os que clamarem minha misericórdia, pela minha própria honra, eu os defenderei na vida e principalmente na hora da morte”. É a Festa de Cristo que, pela Sua Morte e Ressurreição, nos justifica através do Sacramento do Batismo e nos alimenta pelo Sacramento da Eucaristia.
Digo a vocês, ninguém se arrepende de recorrer à misericórdia de Jesus. Ninguém se arrepende de dizer: “Jesus pelas minhas forças eu não consigo, eu clamo à Vossa misericórdia”. Esta é a nossa salvação.
Deus abençoe,
Padre Reginaldo Manzotti

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