Lista mostra espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção

Segundo a atual Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, o Brasil possui 627 espécies da fauna terrestre e aquática ameaçadas de extinção, sendo 394 espécies terrestres e 233 espécies aquáticas.

É considerada “ameaçada de extinção” aquela espécie com alto risco de desaparecimento na natureza em um futuro próximo. Dessa forma, a captura desses animais é proibida - exceto para fins científicos.

No Brasil, a maioria delas está na Mata na Atlântica (64%) e a principal causa de ameaça de extinção é a redução na distribuição geográfica da área de ocupação estimada (64%), devido à fragmentação elevada ou conhecida e declínio continuado observado, inferido ou projetado (48%).

Do número total de espécies de fauna ameaçada, 313 (50,6%) estão presentes em unidades de conservação federais. E das 310 unidades conservação federais, 198 (63,9%), das quais 116 de Proteção Integral e 82 de Uso Sustentável, possuem registro de espécies ameaçadas.

Essas e outras informações podem ser vistas, respectivamente, organizadas no Livro Vermelho e na publicação Atlas da Fauna Ameaçada em Unidades de Conservação Federais – ambas disponíveis gratuitamente no site do Instituto Chico Mendes.

No endereço, o internauta também pode ver uma lista com fotos e informações de 61 das espécies ameaçadas presentes na lista. O documento, que é considerada política pública de conservação estratégica de extrema importância para o país, permite o planejamento e a priorização de recursos e ações para a conservação de espécies e ecossistemas.

Entre outras funções, as listas e as informações utilizadas para a elaboração de cada uma delas são fundamentais para subsidiar os processos de autorização e licenciamento (federal, estadual e municipal) das diversas atividades antrópicas, e também para priorização da criação de Unidades de Conservação e seus planos de manejo.

Veja a abaixo as mais ameaçadas: 

Lobo-Guará (Chrysocyon brachyurus)
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É uma espécie de pernas longas, pelagem longa de cor laranja-avermelhado e orelhas grandes. Possui uma crina negra no dorso, mesma cor do focinho, das patas dianteiras e de mais da metade distal das patas traseiras. A garganta e a parte interna das orelhas são brancas. Cerca de 44% do comprimento da cauda tem cor branca (parte distal), mas a proporção varia entre indivíduos. Possui habitats abertos, como campos, cerrados e veredas e campos úmidos. A dieta é variada, consistindo principalmente de frutos e pequenos vertebrados.

É uma espécie de hábito solitário, cujos indivíduos se juntam em casais apenas na época reprodutiva. O tamanho da área ocupada por casais é bem variável, ao longo de sua distribuição, variando de 6 a 115 km². Há participação do macho nas atividades de cuidado parental com os filhotes.

Arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari)
arara.jpgÉ uma arara de porte médio, cujos indivíduos medem entre 70 e 75 cm. Possui um possante bico negro e a plumagem da cabeça e do pescoço é azul-esverdeada. O ventre é azul-pálido e o dorso, as asas e a cauda são azul-cobalto, sendo o anel perioftálmico em tom amarelo-claro.

Apresenta uma área nua, de formato triangular, na base da mandíbula, de coloração amarelo-enxofre, ainda mais clara do que a observada no anel perioftálmico. A espécie pernoita e nidifica em cavidades existentes nos paredões de arenito e sai da área de repouso ao amanhecer, partindo para as áreas de alimentação. No final da tarde, os bandos retornam aos seus abrigos, chegando logo após o pôr-do-sol ou ainda mais tarde.
O principal item alimentar é o coco da palmeira licuri (Syagrus coronata). Estima-se que o consumo diário de uma arara adulta seja de 350 cocos. O período reprodutivo está associado à época de chuvas, tendo início no mês de setembro e prolongando-se até abril. O período de eclosão dos ovos e o início da saída dos filhotes do ninho são de 87 dias. O macho e fêmea se revezam no cuidado parental.

Mico-leão-da-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas)
mico.jpgÉ um pequeno primata que habita tanto florestas ombrófilas mais próximas do litoral como florestas semideciduais mais interioranas. Ocorre desde o nível do mar até 400 m de altitude.

Frugívora-faunívora. Ocorre em simpatria com outro calitriquídeo. Os frutos representam o principal alimento, néctar e flores são consumidos em menor proporção, assim como ovos de aves e pequenos vertebrados.

Os indivíduos dormem em ocos de árvores, mas podem utilizar também bromélias ou emaranhados de cipós. É uma espécie essencialmente de florestas bem conservadas.


Onça-pintada (Panthera onca)
onca-1.jpgÉ o maior felino das Américas e o único representante atual do gênero Panthera no continente. O seu corpo é mais robusto, musculoso e compacto, com comprimento variando entre 1,10 a 2,41 m e massa entre 35 a 130 kg, podendo chegar a 158 kg. As fêmeas são até 25% mais leves do que os machos.

A área de vida de uma onça-pintada pode variar de 33,4 km² até 142,1 km² . A coloração padrão varia do amarelo-claro ao castanho-ocreáceo, sendo coberta por manchas negras, formando rosetas de tamanhos distintos, com pintas em seu interior. A onça-pintada possui um padrão de atividade crepuscular-noturno e mais de 85 espécies-presa já foram relatadas em sua dieta. Suas principais presas são a queixada (Tayassu pecari) e a capivara (Hydrochaeris hydrochaeris).

As onças-pintadas são encontradas em altitudes entre o nível do mar e 3.800 m.

Tartaruga Verde (Chelonia mydas)
As fêmeas têm biometria semelhante nos três sítios reprodutivos, com média de 115 cm de comprimento curvilíneo de casco, variando de 100 a 134 cm. A sazonalidade reprodutiva vai de dezembro a junho, quando nascem os últimos filhotes. Cada fêmea realiza entre uma e 11 posturas, com intervalos que variam de 10 a 13 dias. Cada desova varia de 50 a 193 ovos.
tartaruga.jpg
Herbívora e habita pastagens tropicais e subtropicais nas principais bacias oceânicas do planeta. As colônias reprodutivas têm distribuição circum-global, entre os trópicos. Estima-se que cerca de mil fêmeas desovem anualmente na ilha de Trindade (ES), entre 50 e 140 fêmeas no Atol das Rocas (RN) e não mais do que 17 fêmeas no arquipélago de Fernando de Noronha (PE). Registros são encontrados ao longo da costa, a partir do estado do Rio de Janeiro em direção ao Norte.

O tempo de incubação é de mais ou menos 55 dias. Ao entrar na água, o filhote adquire um comportamento alimentar onívoro, habitando a zona nerítica. Torna-se herbívora quando atinge um comprimento de 20 a 35 cm, sendo a única espécie a ocupar este nicho.
Para ver outras espécies ameaçadas de extinção, acesse a área de Fauna Brasileira no site do Instituto Chico Mendes.

fonte: Portal Eco



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