MOZART FOSCHETE


Coluna do Chantecler 
Professor Mozart Foschete

Viva a Keké!!!

Meus caros, raros e fieis leitores,

                Como eu disse numa crônica que postei na semana passada no facebook, eu já tinha me decidido a evitar ao máximo escrever sobre a política de Bom Despacho. Depois que o ex-Alcaide deixou a prefeitura em abril passado pra se candidatar a Vereador, já não via razão nenhuma pra continuar com essas crônicas. Afinal, ele era o meu prato preferido e era quem mais me dava assunto pra escrever. Pensei que meu ciclo de cronista “político” de nossa BD tinha se encerrado.

                Mas, evitar ao máximo escrever sobre a política de Bom Despacho não significa parar de vez com isso. Sempre há de surgir um assunto ou um acontecimento que me leva de volta ao teclado de meu notebook. Como é o caso, agora, da eleição da Maria Klésia de Oliveira – que todos conhecem como KEKÉ – para a Presidência da nossa Câmara Municipal, contrariando todos os prognósticos.

                Não se pode dizer que eu e a Keké somos amigos. Amigo é aquele com quem você está sempre se encontrando, com quem troca ideias e confidências e com quem você se diverte. Não é esse o nosso caso. Conheci a Keké em 2002, quando  voltei pra Bom Despacho pra ser Secretário do Geraldo Simão, então recém-eleito prefeito. Foi o Beto psicólogo quem nos apresentou numa noite ali no Casarão. Sem nenhuma cerimônia e sem esperar ser convidada, ela se sentou na nossa mesa como se fôssemos amigos de longa data. Foi amizade à primeira vista. A conversa correu solta, acompanhada de uns bons goles de cerveja e uns tira-gosto.

                Depois disso, a gente só se encontrava por acaso na rua ou em algum boteco. E sempre era uma satisfação pra nós dois. Mas, voltei pra Brasília e quase não tive mais notícias dela. Sabia que ela tinha sido eleita Vereadora em 2012 e só não foi reeleita em 2016 porque ela, pressionada pelo então Alcaide, mudou de Partido, ajudando, com seus votos a eleição de uma outra vereadora, amiga do Alcaide. Se tivesse ficado quieta em seu Partido, teria sido reeleita com seus 845 votos.  Depois fiquei sabendo que ela assumira a Coordenadoria de Eventos da prefeitura – um cargo inventado pelo então Alcaide, talvez como compensação por ele ter provocado a sua não-reeleição. Coisas da política.

                Mas, o que tem de interessante ou de importante nessa eleição de nossa heroína para a Presidência da Câmara Municipal a ponto desse cronista despertar de seu descanso coronaviriano e vir lhe prestar essa homenagem? Bem, o fato principal a destacar foi ela ter  derrotado na sua eleição o favorito ex-Alcaide – seu “ex-patrão” na prefeitura e com quem ela vinha tendo uns atritos e desgastes ultimamente.

                A surpresa foi geral. Ela, uma mulher simples, com apenas o 2° Grau, garçonete há muitos anos em bares e restaurantes. Ele, o todo poderoso ex-Alcaide por oito anos, o vereador mais votado na história de Bom Despacho, com curso superior e outras qualificações técnicas, que gosta de vender a imagem de que foi o melhor prefeito da história de nossa cidade, blá, blá, blá.

                Um fato curioso a registrar é que, momentos antes da votação para a presidência e escolha da Mesa Diretora, nosso ex-Alcaide – que presidia interinamente a Sessão por ter sido o vereador mais votado – propôs que cada candidato a presidente expusesse os planos e projetos que pretendia executar caso fosse eleito. Esse item não constava da agenda da Sessão, e a Keké, sendo pega de surpresa, respondeu simplesmente que seu único projeto era defender de forma intransigente o interesse da cidade e de sua gente. Nosso ex-Alcaide tomou da palavra em seguida e, com a arrogância que lhe é peculiar, leu duas ou três páginas de seus projetos, com comentários alongados e cansativos sobre cada um. Não adiantou de nada. Foi derrotado por 6 votos a 2 – o que significa que pelo menos dois dos vereadores de sua chapa votaram na chapa da Keké. O outro voto foi para o Marquinhos da Copasa que, estranhamente, concorreu ao cargo. 

                Todos sabem que o ex-Alcaide era (ou é) politicamente muito ligado ao atual prefeito – Dr. Bertolino. Se ele ganha a eleição,  ter-se-ia um só comando político na cidade, com o prefeito e e o presidente da Câmara Municipal da mesma coligação e praticamente sem oposição – o que é péssimo para a democracia. Seria a governança do Partido Único – como ocorre nos sistemas comunistas (o que não é o caso de Bom Despacho).

                Com a Keké na presidência  da Câmara Municipal, os planos e projetos do Poder Executivo serão melhor discutidos antes de aprovados – se forem. Isso é bom para a cidade e o Dr. Bertinho vai ter de se acostumar com isso. Ora ele vai ganhar, ora ele vai perder. É assim a política.

                Assim dito, esse escrevinhador gostaria de parabenizar a Keké e os demais membros da Mesa Diretora eleita – o Pastor Alex, a Samara e o Eder do Tipura – e desejar-lhes uma ótima e produtiva gestão.

                Apenas um pequeno detalhe: embora nosso ex-Alcaide tenha tido a maior votação para Vereador (dois mil e poucos votos), foi uma votação relativamente pequena pra quem se achava o “melhor” da história de BD. E agora vem essa derrota fragorosa para a Keké. Os dois fatos mostram uma clara rejeição popular ao ex-Alcaide.

E, pra terminar, ao escrever esta crônica, não sei por quê, me lembrei daqueles 6x2 que o Cruzeiro aplicou no poderoso Santos de Pelé, em 1966, pela final da Copa do Brasil. Um show de bola. Os mais velhos sabem de que estou falando.

Boa sorte, Keké! A Câmara Municipal está em boas mãos.

                Chantecler.

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